Toquinho é o mais novo desempregado do MMA

Publicado em 11/10/2013
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Rousimar Palhares é um sujeito boa praça. E na manhã dessa quinta feira o mais novo desempregado do MMA. Isso não deve durar muito tempo, se é que ele ainda está nessa situação, mas após a finalização diante de Mike Pierce, O UFC resolveu cortá-lo do quadro de funcionários.

De origem humilde, ele tem nas palavras a calma e paciência de quem sabe valorizar suas conquistas com o que o MMA proporcionou.

Quando Rousimar se transforma em Toquinho e entra no cage as coisas mudam, o mineiro outrora tranquilo virá um caçador de tornozelos, joelhos, pés de forma inigualável.

Sua busca por uma finalização de preferência nos membros inferiores é tamanha que invariavelmente ele não sabe o que significa interrupção.

Algo na cabeça de toquinho não entende os 3 tapinhas. Na verdade, para ser honesto, se fizermos uma análise criteriosamente técnica das finalizações polêmicas de Toquinho, algo é bastante peculiar, ele se retrai para o solo do cage, praticamente fecha os olhos e se desliga do resto. Esse é seu erro, ele insiste na chave, e se concentra tanto naquilo que tecnicamente erra ao ignorar os 3 tapinhas ou os “berros” dos adversários e principalmente na separação do arbitro. Essa última, imperdoável.

No UFC Maia vs Shields foi uma dessas noites, Toquinho conseguiu o que até então ninguém havia feito: parou Mike Pierce com os 3 tapinhas de forma rápida e impressionante.

Eu estava há menos de 10 metros e mal pude ver o que aconteceu de tão rápido que ocorreu. Pierce nunca havia perdido por finalização ou nocaute.

O Norte americano começou a se dar mal ainda em pé, quando toquinho já encaixava a chave, antes mesmo de cair no solo, Pierce já urrava e batia para parar a luta, o arbitro correu eu direção dos lutadores, tentou arrancar a chave de Toquinho que ficou ali uns 3 segundos tranquilamente segurando a posição, com rosto virado para lona e olhos semifechados, corpo retorcido de tanta contração muscular.

Infelizmente o histórico não favorece e Dana resolveu bani-lo do UFC. O termo é forte, talvez o tempo até remova esse termo “banir”, mas não é o primeiro a conseguir essa proeza. Ao ver a demissão de Toquinho, me lembrei automaticamente de outro brasileiro fera do Jiu-Jitsu, Renato Babalú.

Babalú diz aos 4 ventos que tem suas portas abertas do UFC e que fez mais dinheiro fora do Ultimate após sua saída, isso talvez sirva de consolo para Toquinho, mas cá entre nós, a mancha na carreira será levada pra sempre e reincidências não devem ser toleradas por grandes eventos como por exemplo um futuro empregador como o BELLATOR.

A medida que eventos vão ganhando o mainstream e chegam ao grande público de TV Aberta como o Bellator, atitudes antidesportivas como essa não costumam ficar impunes, a organização se vê obrigada a punir o atleta e em casos extremos faz como o UFC, demite o lutador.

Agora é esperar que o brasileiro que todos admiramos pelo seu histórico de vida, que volte a brilhar e entenda que lesões provocadas por chaves como essa podem comprometer toda a vida de um atleta.

Se o atleta faz o que treina, está mais do que na hora de aprender duas coisas:

Observar nos treinos os 3 tapinhas e PARAR.

E a segunda é saber que hoje, temos um zilhão de câmeras AO VIVO e que o evento sabe quando o outro atleta bateu, não existe mais o risco que o seu mestre e ex head coach Murilo Bustamante passou no próprio UFC.

Boa sorte ao Toquinho e que fique o exemplo.

Por Fábio Souza - Fanáticos por MMA
Foto: Marcos Santos - Revista Pegada

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