Cadê os bons eventos?

Publicado em 07/03/2018
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Analisando um pouco o cenário do MMA Nacional e, principalmente o paulista, surgiu a dúvida: o que aconteceu com os bons e ótimos eventos que já foram realizados com muito sucesso em São Paulo?

As pessoas mais indicadas para responder este enigma, ou pelo menos parte dele, são aqueles que não calçaram as luvas, mas lutaram mais do que todos para a realização do seu projeto: os organizadores.
Por isso, batemos um papo com um dos maiores organizadores de eventos de lutas do país, Marcio Keske, faixa preta de Jiu-Jitsu e idealizador do Real Fight, que teve sua primeira edição em 2004 e foi um dos principais eventos de MMA do país durante mais de uma década, por onde passaram atletas consagrados no cenário mundial, como por exemplo: Serginho Moraes, Bruno Frazatto, Hacram Dias, Cassiano Tytschyo, Elias Silvério, Marcos “Babuíno”, Kalindra Faria, Felipe Efrain, entre muitos outros.
Além do Real Fight, Keske também organizou o Santos Fight MMA e o Soul Fight, evento de lutas casadas de Jiu-Jitsu e Submission que acontece desde 2010.

Marcio, com toda a sua experiência em todos estes anos como organizador, qual a sua visão do cenário atual?
Há uns 7 anos atrás tínhamos muitos eventos bons e sérios fazendo um ótimo trabalho, porém neste cenário atual da economia que vivemos, infelizmente a grande maioria desapareceu. Quando o UFC chegou no Brasil, tínhamos grandes expectativas de que o mercado iria movimentar muito e que, consequentemente, isso refletiria nos nossos eventos, porém não foi bem isso que aconteceu. O mercado de investidores em eventos nacionais cresceu de forma pouco expressiva, se é que cresceu. Por outro lado, não podemos negar que a organização ajudou, e muito, a popularizar ainda mais o esporte em nosso país.
Infelizmente muitos eventos acabaram e organizadores extraordinários e sérios desanimaram com o mercado. Muitos deles tenho contato até hoje e se pudesse me juntaria para fazer um grande evento, #ficaadica (risos).

Realmente, o mercado brasileiro está bem devagar com os eventos. Na sua opinião, qual a maior dificuldade para realizar um bom evento?
Vejo que a economia do nosso país é o principal motivo de muitos eventos terem acabado, porque a maior dificuldade, não só hoje, mas sempre foi, conseguir patrocínios. Já era difícil em tempos bons, e hoje com a economia desse jeito é muito mais difícil ainda, mas não podemos esquecer que sempre têm e sempre terá pessoas boas querendo somar. Tem também a falta de incentivo de órgãos públicos, os eventos bem feitos certamente movimentam a economia local, ajudando a hotelaria, restaurantes, bares etc., mas infelizmente os órgãos públicos não incentivam, nem com o mínimo.

Mudando um pouco de assunto, você se manteve na ativa organizando eventos beneficentes de lutas casadas de Jiu-Jitsu e Submission, a REVISTA PEGADA já cobriu algumas edições, mas fale para nossos leitores um pouco sobre esse evento.
Já organizei 6 edições deste evento, todos com o maior profissionalismo possível e uma produção bem legal. Tivemos lotação máxima dos locais em todas as edições, o público compareceu em peso! Para você ter uma ideia, a entrada sempre foi um quilo de alimento e, no último, arrecadamos mais de 5 toneladas. Tudo foi destinado às entidades locais da cidade de São José dos Campos.

Este evento beneficente sempre conta com atletas renomados internacionalmente em suas edições, cite alguns nomes.
Sempre convido os amigos para estar e, principalmente, para lutar no evento, gosto e prezo por boas lutas, então escolho bem o card. Nomes como Leandro Lo, Miyao, Jessica “Bate estaca” Andrade, Fabio Maldonado e Charles do Bronxs, são alguns tops que já subiram no nosso tatame, não vou falar todos para não correr o risco de esquecer de alguém, mas já passou e vai passar muita gente boa em todos os eventos que eu realizar.

Aproveitando o gancho, podemos esperar novidades para este ano de 2018?
Sim, estamos sonhando com vários eventos, tanto de lutas casadas de Jiu-Jitsu e Submission quanto de MMA, sempre com grandes nomes em ação. Já estou trabalhando e planejando novidades para 2018. Precisamos movimentar o cenário de luta no nosso país. Precisamos de empresas para investir em eventos sérios e bem organizados. Precisamos de um apoio significativo não só da mídia especializada, mas também da não especializada, para ajudar os eventos nacionais a crescerem cada vez mais.

Para finalizarmos, deixe um recado.
Quero agradecer primeiramente a Deus por me dar o fôlego de vida e saúde para trabalhar, agradecer o espaço que vocês da REVISTA PEGADA estão nos dando, isso é de extrema importância para avançarmos, e seguir como sempre fiz, com o pé no chão e cumprindo tudo o que prometo. Muitos e muitos atletas, colaboradores, fornecedores e etc. passaram pelos nossos eventos e tudo o que foi combinado foi cumprido, é a credibilidade que te ajuda a avançar, até porque, credibilidade não se compra, se conquista!

Foto: arquivo pessoal

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