Poderá a Zuffa Boxing mudar a cara do Boxe e MMA pelo mundo?

Publicado em 13/01/2018
Imagem do Artigo Poderá a Zuffa Boxing mudar a cara do Boxe e MMA pelo mundo?

Algumas vezes há fãs de MMA e boxe que não entendem que você pode ser um fã de ambos os esportes. Sim, ambas as modalidades de lutas estão bem. As pessoas é que são muito dramáticas.
Ao contrário do que muitos acreditam, alguns promotores de boxe, inclusive, o MMA não veio para tomar o lugar do pugilismo. Muito pelo contrário, veio para somar ao público do boxe, conquistando novos corações e mentes ao redor do mundo.
Recentemente o lutador José Aldo declarou à impressa o seu desejo de “acabar o seu contrato com o UFC o mais rápido possível” e, provavelmente, poderá se dedicar ao boxe. A motivação de Aldo para o MMA já não é mais a mesma, de acordo com André Pederneiras, técnico do atleta e líder da equipe Nova União.
Ao mesmo tempo, Dana White, o “ainda” presidente do UFC anunciava a criação do seu novo empreendimento, a Zuffa Boxing e reafirmava o seu interesse em se aventurar na promoção de lutas da Nobre Arte, mesmo que ainda sob o conglomerado do WME-IMG Endeavor, os novos proprietários do UFC.
White também promete continuar cuidando dos seus negócios como mandatário do UFC, ainda o maior evento de MMA do planeta.
Apesar dos dois fatos citados acima não terem nenhuma ligação entre si, ao menos aparentemente, estes podem ser uma indicação de algumas mudanças de paradigmas nos bastidores do mercado de lutas nos EUA e este, como acontece na maioria das vezes, poderá refletir em alterações na promoção dos eventos de lutas de boxe e MMA em algumas partes do mundo.

Depois de pagar US$ 4 bilhões para comprar o UFC, a WME-IMG Endeavor planeja recuperar boa parte desse dinheiro investido na aquisição da franquia e eles estão procurando montar cards que criem novas estrelas e também estão se concentrando nos atletas mais jovens, mas também poderão fazer uso de talentos do MMA já estabelecidos no UFC, como o já citado José Aldo e a própria Cristiane “Cyborg” Justino que também já manifestou interesse em se dedicar ao boxe profissional, paralelamente à sua carreira no MMA. 
Outros grandes nomes do MMA também interessados na modalidade são os irmãos Nate e Nick Diaz, que usam a ideia do boxe para negociarem melhores bolsas.
Mas, com a má fama que o UFC vem tendo de subvalorizar seus atletas, nós não sabemos se essa ideia irá vingar. Nesse cenário, o WME-IMG Endeavor seria tentado à pagar e investir mais no lado do boxe.
“Estou entrando no boxe com o Ari (Emanuel, líder do WME-IMG Endeavor) e o UFC vai fazer boxe também. Ainda é cedo, mas já estamos trabalhando nisso”. - declarou White, de acordo com o jornal "Los Angeles Times".
O dirigente acrescentou que já iniciou o processo de requerimento de uma licença para promover lutas de boxe, e embora admita que ainda tenha muito a aprender, esbanjou a confiança habitual sobre seu futuro no novo ramo.
A primeira vista é tudo muito bonito, mas a Zuffa Boxing poderá enfrentar uma “enxurrada” de problemas antes de se estabelecer definitivamente no novo mercado.
O primeiro destes problemas é o esforço do congressista Markwayne Mullin para expandir o Muhammad Ali Act e incluir o MMA sob essa mesma legislação. 
Isso seria ampliado se os cartolas do UFC realmente investirem na promoção das lutas de boxe, pois seus lutadores e dinheiro estariam sendo usados em ambos os esportes. 
O processo antitruste em curso trará novas munições, já que o UFC também estará influenciando o boxe, esporte irmão do MMA.
Por outro lado, as lutas teriam ótima visibilidade, já que os shows da Zuffa Boxing seriam incluídos no UFC Fight Pass, plataforma de transmissão online que hospeda os shows do Ultimate e de outras franquias pelo mundo, como Invicta Fighting Championships, Cage Warriors Fighting Championship, Pancrase, (pelo lado do MMA), Eddie Bravo Invitational e Glory Kickboxing (nas diferentes áreas de esportes de combate), entre outros.
Mas uma vez que o boxe disponibiliza inúmeras ofertas gratuitas na TV nós acreditamos que os fãs não irão desembolsar o seu suado dinheiro com uma taxa de assinatura mensal para assistirem aos novos talentos do boxe, mesmo que essa modalidade tenha experimentado um novo, mas pequeno crescimento recentemente. 
Não é nenhum exagero dizer que os pacotes de boxe poderão ter algumas das piores vendas dentro da programação do UFC Fight Pass. As exceções, é claro, serão uma ou outra luta com qualquer grande nome da Nobre Arte.
Ainda assim, a Zuffa Boxing poderia viver em um ambiente híbrido. Nós já vimos o exemplo do Bellator MMA ao integrar seu recém-criado ramo de kickboxing com algum sucesso financeiro através de sua série Dynamite. No entanto, o cage que está sendo posicionada ao lado do tradicional ringue de cordas causou algumas dificuldades para a experiência do público ao vivo. Além disso, a decisão de ter duas ações em curso simultaneamente retirou a possibilidade de usar lutas em qualquer esporte para chamar a atenção dos fãs para o outro. É improvável que o UFC, que historicamente tenha tido muito consciência de sua transmissão televisiva e do seu público ao vivo, siga esse caminho.
Claro, existe a opção de usar a mesma superfície de combate para o boxe e para o MMA. Afinal, os primeiros dias do MMA apresentaram muita ação em um ringue de cordas, e promoções japonesas, como o Rizin Fighting Federation, ainda não adotaram o octógono. As regras das comissões atléticas estaduais (nos EUA) impedem que lutas de boxe ocorram em qualquer lugar fora de um ringue. Isso descarta algo parecido como algumas lutas de Muay Thai, que ocorrem dentro de um cage de MMA, em alguns poucos países pelo mundo. 

Além das mudanças nas regras, a única outra opção seria ter as lutas do UFC dentro de um ringue. Embora isso seja algo permitido pela maioria das comissões atléticas estaduais, exigiria uma saída cultural da prática bem-estabelecida do UFC e do uso do octógono. Quando o Ultimate Fighting Championship fez seu retorno ao Japão para o UFC 144, White insistiu que nada seria diferente, optando por não capitalizar em cima do extinto Pride FC e da nostalgia, como o uso de um ringue e em vez disso optou em mostrar o produto padrão. 

Será que Dana irá fazer uso do formato do rival Bellator (quando da promoção do Dynamite / ou Bellator Kickboxing) ou manterá a promoção dos seus shows em padrões e datas distintas?
Nós estamos ansiosos para sabermos qual será o formato utilizado pelos shows promovido por White daqui para a frente.
Também não podemos esquecer que Dana começou sua jornada no mundo das lutas na área de Boston, onde dirigiu um programa de boxe enquanto agenciava lutadores, mas o seu grande sonho sempre foi ser um promotor de boxe. 
Ele já anunciou que planeja conhecer algumas das personalidades mais influentes do mundo do boxe no início de 2018.
É improvável que ele tente algum acordo com Oscar De La Hoya (Golden Boy Promotions), Bob Arum (Top Rank), ou mesmo Stephen Espinoza (Showtime) com quem ele não parece ter um bom relacionamento, mas poderá manter parcerias em algum nível com Al Haymon (Premier Boxing Champions) e Leonard Ellerbe (Mayweather Promotions). 
Essa opinião é compartilhada pelos comentaristas especializados em boxe. Para eles, Dana White só poderá se consolidar no boxe se firmar uma parceria com o PBC ou alguns dos promotores ingleses. De jeito nenhum, Golden Boy ou Top Rank trabalhariam com o cartola carequinha. E White também quer trazer o modelo do UFC para The Sweet Science.
Outro plano de White para o boxe, pelo menos no momento, é contratar o campeão Anthony Joshua para uma luta com Wladimir Klitschko e que seria válida pelo título dos pesos pesados, no mês de abril.
Contudo, um contrato com Joshua poderia fazer o WME-IMG Endeavor assumir um risco substancial e aumentar a sua dívida já monumental. 
Por falar nisso, o promotor rival Bob Arum (da Top Rank) acredita que são outros os motivos para Dana entrar nesse novo empreendimento.
"É um reconhecimento da força o boxe. Ele tem o UFC que está afundando, e ele precisa do boxe para sobreviver. Mas se Dana White começa à promover mesmo o boxe, será fantástico", complementa Arum. “Porque provaria que mesmo sendo um esporte antigo, o boxe tem um enorme alcance entre o público jovem”.
Estas são as novidades até aqui e tudo isso é consequência da luta entre Conor McGregor e Floyd Mayweather Jr. realizada em 26 de agosto passado e que provou ser um enorme sucesso financeiro e de excelentes vendas no sistema de Pay-Per-View. A luta em questão foi o primeiro envolvimento de White em uma grande promoção de boxe.
Mas alguns veículos da mídia especializada norte-americana já temem que a Zuffa Boxing poderá fazer muito mais mal do que bem ao esporte.
Será que a “galinha dos ovos de ouro” do WME-IMG Endeavor, o UFC, não gera mais tanto dinheiro? Pelo andar da carruagem, parece que não.
Somando-se todos esses fatores, estes mesmos veículos de comunicação, inclusive, já sugerem que o UFC poderá ser vendido novamente, caso o WME-IMG Endeavor não consiga quitar as suas dívidas.
Tudo o que nós podemos fazer é pensar positivamente e aguardar. O tempo nos dirá até onde tudo isso nos levará.

Por: Oriosvaldo Costa
Foto: Dana White sorri, feliz da vida, ao anunciar seu novo empreendimento, a Zuffa Boxing - Reprodução da Internet

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